Essays
O quadro azul
Tania Rojas Esponda
Portugûes 108, Universidade de Princeton
27 de Fevereiro de 2003

O quadro do qual vou falar é azul. Mas ontem parecia cinzento. Não, não falo de uma cor comum . Se eu digo que o quadro era cinzento é porque essa cor é a melhor aproximação. Em realidade a pintura é muito misteriosa. A maior parte dela é ocupada por mar é céu. Entretanto não é possível reconhecer onde o mar termina e o céu começa. Vemos unicamente uma área grande, plena de cursos verdes e rosa, um pouco de marrom , muito azul escuro e claro.

No centro há um barco pequeno que transporta duas pessoas. Talvez retornam de uma viagem, de uma visita a um encontro distante. Talvez, durante aquela estada, um deles, aquele que está sentado, tenha se enamorado . Talvez essa é a razão da sua seriedade, uma preocupação que não permite a ele ajudar a manejar o barco.

Nesta melancolia entra um outra preocupação. O sol, uma bola compacta de cor de açaí , está desaparecendo. Ao menos esta é a impressão que criam as massas de cor azul escuro, massas cujo objetivo parece ser conquistar todo o quadro, vencendo todas as outras cores, a cor verde, a cor marrom , os tons laranja, todos, com exceção do cinzento, a cor que sobrevive a tudo.

Mas hoje, uma noite depois da minha prima encontrada com o quadro, vi a cena descrita outra vez. “Que poder imenso tem o sol “, foi mi pensamento imediato. A luz do sol transformava todas as cores. O cinzento era quase um azul claro, a cor de açaí era agora um tom vermelho morno e suave; todo o perigo estava esquecido. Talvez até o viajante triste não estivesse mais doente de amor.